Durante minha trajetória profissional, vivi experiências que me trouxeram até o lugar em que estou hoje.
Além de psicóloga e terapeuta cognitivo-comportamental, também fui paciente de Burnout. Um processo doloroso, que exigiu reconhecer limites que, até então, eu não havia conseguido estabelecer.
A falta de empatia de uma liderança que se dizia “humana” minou minha autoconfiança profissional. Vivi em um ambiente tóxico, marcado por fofocas, silenciamentos e barreiras ao desenvolvimento. Quando não há estratégia para construir um ambiente livre de riscos psicossociais, o problema passa a ser quem aponta que algo não está certo. E, nesse cenário, a demissão veio.
Por um tempo, vivi a revolta da injustiça. Especialmente ao perceber lideranças que dizem já ter passado por isso, mas acabam reproduzindo o mesmo adoecimento em outras pessoas.
Depois, me reposicionei no meu lugar profissional: acolher, escutar, trabalhar a reestruturação cognitiva e ajudar pessoas a compreenderem seu papel e seus limites nos contextos em que vivem.
E, diariamente, recebo relatos semelhantes — ou até piores — do que vivi.
Foi isso que me impulsionou a me especializar na implementação da NR-01, com foco em saúde mental e prevenção de riscos psicossociais.
Não é mais possível que lideranças finjam que nada está acontecendo ou simplesmente descartem quem adoece dentro dos ambientes que lideram.
Liderar é lidar com vidas. E, muitas vezes, decisões mal conduzidas desestruturam não apenas um profissional, mas famílias inteiras.
Saúde mental no mundo corporativo não é frescura, nem falta de estrutura pessoal.
É consequência direta de exposições contínuas a situações que ultrapassam qualquer limite humano.
E você?
Vai continuar fingindo que nada está acontecendo… até quando?